segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Sobrevivendo ao Festival do Rio

O Jornal O Globo, tão engraçadinho, criou a opinião do leitor como se ela não estivesse mais do que expressa nos comentários quase sempre horrorosos exibidos abaixo das matérias. Porém, quando li O meu Festival do Rio, eu não resisti e fiz um exercício de memória: como sobrevivi aos útimos?
Diante da oferta angustiante e babélica eu não penso: respiro fundo, tiro a pragmática da cartola e mando ver. Filmes, só de manhã ou após às 20h. Se eu cruzo horário com localidade melhora: só me mobilizo se for no eixo Centro-Botafogo por que preciso estar perto dos meus inúmeros trabalhos. Quero ver muita coisa, raramente leio o programa ou as recomendações e aposto: documentários sempre, primeiro os brasileiros e depois os estrangeiros. Filmes brasileiros não, já que geralmente passam na sessão remela, carinhoso nome do Clube do professor (se bem que até hoje não vi Tropa de Elite).
Ficção estrangeira (longas): só abro exceção para os que eu acho que não entrarão em cartaz, senão nem me abalo. É ... mais ou menos. Este ano pretendo abrir duas: estou curiosíssima com o filme dos irmãos Coen (Queime depois de ler) e do Woody Allen (Vicky Cristina Barcelona).

E eu ainda tinha a pretensão de ir ao Tim Festival. Tolinha!

É o que me interessa

Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado só de quem me interessa

Lenine




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Tarde preguiçosa. Muito, muito preguiçosa.

sábado, 27 de setembro de 2008

Viva Cosme, Damião e Doum!


de Jorge Agrião e Evandro Lima
com Mart'nália

A gente tem que levar fé
Acreditar não sucumbir
Na vida sabe como é
cuidado pra não se iludir
e lá na umbanda ou candomblé
aos santos proteção pedir
Conselhos para um bom pajé
e força pra não desistir
Depois de um banho, muito axé
Pra gente poder resistir
Não dar uma de São Tomé
e crer antes de se cumprir

E assim na prece e na reza
e na oração
O bem vem da alma e do coração
Não há quem diga
não vai melhorar ...

Malandro pra que nenhum mal te aconteça
Só correndo atrás e fazendo a cabeça
Que o cara com fé vai se fortificar
Crença na força divina
em Zambi e Alá
No supremo maior
Odé, Olorum ou meu pai Oxalá

Levo mais fé no meu taco
Não passo sufoco
Não sou qualquer Zé
Acredite seu moço
Assino e dou fé

Ibejis, os orixás gêmeos, na representação do pintor Carybé

Da vida tão amargurada
Essa gurizada me fez renascer
Hoje, sou cobra criada
Agradeço a Ibejada
Falange do Erê
Vinte e sete de setembro
Eu sempre me lembro
Não esqueço de dar
Cocada, paçoca, suspiro, pipoca,
Bolo, bala, bola, cuscuz e manjar

(Falange do Erê, de Mart'nália)

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Para os que perguntaram do show da Mart'nália: foi um dos melhores dela. Casa lotada, virou um mega baile ao final. Além das músicas do novo cd e dos antigos, ela cantou Chico, Vinícius e o pai. Saí do show extasiada, quase rouca, com dor nos pés e imensamente feliz! Mart'nália, you are the sunshine of my life ...

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Dádiva

Oi, Ana. Tudo Bem?
Continuamos no mesmo esquema do ano passado?
Bjs
Cris


Esta mensagem bastou para disparar a maternagem que habita em mim. Faltando três meses para o Natal, Cris avisa que é hora de escolher meus afilhados de fim de ano. Após dois dias de negociações, eis que chegam os (poucos) dados de Darlane, 7 anos e Gabriela, de 10.

Tem o básico que precisa ser comprado e daí eu faço listas. Tiro um dia só para cuidar disso, mas sempre acho que é um corre-corre, que não vai dar tempo ou que eu não vou achar o quero. E fico me perguntando se Barbies são adequadas, se uma peça de roupa é o suficiente, se não é melhor comprar dúzias de calcinhas já que criança cresce rápido. Comprar sapato é sempre o pior: sandália, tênis, sapatilha? Combinar ou não com a roupa? Mandar um par que dê para ir à escola?

Depois de tudo comprado eu cismo que criança precisa se expressar e mando giz de cera, cadernos, corda para pular .... e lembro que menina precisa ficar bonita e coloco dúzias de prendedores nas bolsinhas, por que meninas precisam de bolsas (eu acho!).

Ainda tem toda uma produção: pacotes coloridos e grandes, cartõezinhos com mensagens ...

E a cada ano fica a certeza de que me divirto e me beneficio mais do que todas elas.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Façamos (vamos amar)

Fui premiada pelo Ventarolas com estas lindas joaninhas se amando. O selo é mais gostoso com amor! tem rodado pela rede e feito nossa alegria e Isabel, companheira de campo, relatórios e risadas me premiou com ele. Bebel, muito obrigada! Essas joaninhas são ... indizíveis!

Como Valéria Maria fez aniversário esta semana e se deu de presente mais um blog, o selinho (uma corrente do bem super fofa) vai para ela! Val, você é linda, sexy, fantástica, brilhante, grande amiga, escreve bem, ok, eu já te adulei, mas por favor: não apague o blog, fotolog ou perfil no orkut! E venha pegar seu prêmio.

Se as joaninhas, fazem;
Libélulas em bambus, fazem,
E as centopéias sem tabu, fazem:

Façamos, vamos amar!

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Desencanto, de Manuel Bandeira

Com Olívia Hime.

Sobre Portugal, São Paulo e os abismos

Revirando este fantástico universo paralelo que é a internet, fui parar em um lugar pelo qual fiquei apaixonada: Portugal. Passei o sábado lendo poesias na tela e viajando ... Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyner Andresen, Maria do Rosário Pedreira, Florbela Espanca. Sei que não devia. Precisava escrever e ler outros assuntos que não despertassem tanto meu encantamento. Não fui às festas para as quais fui convidada, não trabalhei nas entrevistas e não cumpri as minhas metas de trabalho. Pena. Agora rala na segunda e terça-feira!

Acabei fazendo algumas paradas em blogs interessantes, também portugueses. Cheguei a um de uma moça de Coimbra que postava poesias quase diariamente, um blog fantástico. Porém fiquei entre abalada e curiosa: desde janeiro de 2007 não há post novo, nenhuma explicação para as belas poesias estarem abandonadas, vagando pelo virtual. O que pode ter acontecido com a moça sensível que a fez abandonar dois blogs no mesmo dia, sem aviso prévio ou despedidas aos leitores? E para piorar não consigo achá-lo nos meus favoritos. E o blog era realmente muito bom!

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Estreou na HBO a série Alice. Vi duas vezes o primeiro episódio e por isso estou acordada até agora. Tirando que ela saiu de Palmas e eu de Madureira, nós poderíamos ser a mesma pessoa: após algumas perdas, estamos com uma imensa vontade de dançar na beira do abismo e descobrir capacidades e limites. Para ela,"mais vale uma Alice voando, que muitas alices com os pés no chão". Têm horas que só dá para fazer duas coisas: ousar e se jogar (metaforicamente, é claro)!

Prometo um post mais longo para Alice in Wonderland, quer dizer, em São Paulo. Enquanto ele não chega, leiam a entrevista com Karim Aïnouz, diretor da série, publicada há um ano atrás na uol.

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A propósito, fiquei com uma muita vontade de conhecer São Paulo. Já fui duas vezes e nas duas voltei no mesmo dia. Da cidade só lembro do céu cinzento. Quando fui em 1999 para o casamento de um grande amigo estava chovendo. E ano passado quando fui para o seminário do Núcleo de Estudos da Violência não chovia ... era quase um dilúvio. Então é isso: de São Paulo eu conheço uma igreja, os aeroportos, o metrô, a USP e .... o céu cinzento! Quase um clichê.

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Descobrindo Elizabeth Shepherd e amando: excelente post do Niell.

sábado, 20 de setembro de 2008

Dorme, meu amor
















Ilustração: A Noite Estrelada, de Vincent Van Gogh - 1889



Dorme, meu amor, que o mundo já viu morrer mais este dia e eu estou aqui, de guarda aos pesadelos. Fecha os olhos agora e sossega — o pior já passou há muito tempo; e o vento amaciou; e a minha mão desvia os passos do medo.

Dorme, meu amor — a morte está deitada sob o lençol da terra onde nasceste e pode levantar-se como um pássaro assim que adormeceres. Mas nada temas: as suas asas de sombra não hão-de derrubar-me — eu já morri muitas vezes e é ainda da vida que tenho mais medo.

Fecha os olhos agora e sossega — a porta está trancada; e os fantasmas da casa que o jardim devorou andam perdidos nas brumas que lancei ao caminho. Por isso, dorme, meu amor, larga a tristeza à porta do meu corpo e nada temas: eu já ouvi o silêncio, já vi a escuridão, já olhei a morte debruçada nos espelhos e estou aqui, de guarda aos pesadelos — a noite é um poema que conheço de cor e vou cantar-to até adormeceres.

Maria do Rosário Pedreira, poeta portuguesa

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Dance me to the end of love, com Madeleine Peyroux

Dance me to the children who are asking to be born 
Dance me through the curtains that our kisses have outworn 
Raise a tent of shelter now, though every thread is torn 
Dance me to the end of love 



Blog inspiração para este post: para Francisco.
Lindo!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Pequenas (e grandes) coisas que me deixam melhor - Parte I

Sem ordem de importância:

esmalte vermelho, sapatos, bem-casados (os doces, é claro!), milhares de livros, música sempre e o silêncio quando é necessário, cheiro de mar, as ondas do mar, todo mar, papelarias, carambola, o escuro do cinema, chá preto, roxo, flores, cheiro de madeira, bolsas, esculturas, pisar num palco, ler Machado, ficar de bobeira, seriados, pipoca, balanço de rede, pés no chão, frutos do mar, cheiro de vela, Flamengo, pão de canela, Império Serrano, os amigos de longe, os de perto, os de sempre, ser adulta, ser criança, rir até doer a barriga, chorar até espantar a angústia, chuva no rosto, igrejas, baunilha, abraços, dar aulas, assistir aulas, São Jorge, cheiro de ervas, ouvir, falar, dançar, as antropologias, meios de comunicação, lojas de decoração, viajar.

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Senti falta de escrever aqui.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Futilidade

Pelo espelho, a imagem sorriu de volta ...
E ela se achou linda começando a ficar grisalha.



Escutando: Só Deus é quem sabe, com Mart'nália.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Simpatia Contemporânea

Acompanho muitos blogs, de todos os tipos que vocês possam imaginar. Política, educação, antropologia, música, cinema, dos amigos, dos conhecidos e se bobear até dos desafetos ... para relaxar eu leio blogs. Caí no do magopaco (na realidade Márcio Paes) e adorei! O cara é genial, divertido e um ilustrador bom pra caramba. Trouxe para o catando o do cão feroz. Se possível, leiam o post original. A idéia é boa: vamos ver quantos homens aderem a campanha "coloque um cartaz para sensibilizar a mulher amada/desejada ..."

Ah, visitem ainda o Lovestein.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Axé

Para meu pai, que faria hoje 56 anos.


Axé é força vital, energia, princípio da vida, força sagrada dos orixás. Axé é o nome que se dá às partes dos animais que contêm essas forças da natureza viva, que também estão nas folhas, sementes e nos frutos sagrados. Axé é bênção, cumprimento, votos de boa-sorte e sinônimo de Amém. Axé é poder. Axé é o conjunto material de objetos que representam os deuses quando estes são assentados, fixados nos seus altares particulares para ser cultuados. São as pedras e os ferros dos orixás, suas representações materiais, símbolos de uma sacralidade tangível e imediata. Axé é carisma, é sabedoria nas coisas-do-santo, é senioridade.

Axé se tem, se usa, se gasta, se repõe, se acumula. Axé é origem, é a raiz que vem dos antepassados, é a comunidade do terreiro. Os grandes portadores de axé, que são as veneráveis mães e os veneráveis pais-de-santo, podem transmitir axé pela imposição das mãos; pela saliva, que com a palavra sai da boca; pelo suor do rosto, que os velhos orixás em transe limpam de sua testa com as mãos e, carinhosamente, esfregam nas faces dos filhos prediletos. Axé se ganha e se perde.

(Extraído de Reginaldo Prandi, Os candomblés de São Paulo)

Água de Cachoeira, com Maria Bethânia

maria bethania - agua de chachoeira

Presente matinal da Bebel!
(...)
Água de beber
Água de molhar
Água de benzer
Água de rezar
(...)
Tem um doce mistério
Que eu não sei contar
Eu só sei dizer pra você
Que meu pai mora lá
(Jovelina Pérola Negra, Labre & Carlito Cavalcante)