domingo, 31 de agosto de 2008

Apenas mais um blog

Por anos relutei em fazer um blog. Tentei vários, abri alguns endereços, nunca os divulguei e apaguei o conteúdo de todos eles. Se me perguntarem o que tinha, sinceramente eu vou responder: não lembro!

Não sei se eram úteis, divertidos, se traziam um pouco do meu mal humor, mas sei deveriam ter algum tipo de lista, algo que uma pessoa sem imaginação e ainda por cima terráquea adora fazer.

Quando comecei o Catando Poesias, ele tinha outro nome e outro objetivo e nessa já são quase 2 anos. Mudou de cor, estilo, perfil até que escrevi na véspera do meu aniversário e não tive vontade de apagar o texto. Não voltei aqui por meses, mas também não esqueci.

Esse blog existe por que há minha necessidade de sussurrar aos amigos alguns pensamentos desconexos. Existe como um diário - nem tanto o da minha vida pessoal - mas um exercício de escrita, da mesma forma que utilizava os diários de papel.

Tem existido por que assim eu relaxo e penso mais na tese, nos relatórios, nas cartas e aulas que preciso escrever ou preparar. Por que depois de quase dez anos sem escrever nada pessoal, tenho rascunhado frases soltas, inícios de contos, sonhos e desejos em fragmentos que acabo encontrando espalhados na bolsa. Eles têm se reunido nesta morada, acredito ...

Sempre vai ser pessoal o que eu escrevo aqui. Inevitável. Para dar pitaco em outros assuntos eu sei que tenho outros espaços.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Pedaços de Lisboa

Bairro Alto


Elétricos em Alfama


Castelo de São Jorge visto do Mirante da Graça, Alfama


Meia-noite no Parque Eduardo VII


Azulejos da Igreja de Santo Antônio à Sé


Vitrine de embutidos e doces

Lisboa é acolhedora, e no início do verão, doce e iluminada! Eu adorei cada minuto que passei na cidade. Antiga e misteriosa, pouco cosmopolita, uma quase metrópole, ela me encantou com sua culinária, seu sotaque, seus amplos e despreocupados espaços. Vontade de me perder e me achar por ali, e talvez demorar a voltar para a realidade que lá ficou em suspenso. Quase um sonho.

Fotos tiradas em junho de 2008.

domingo, 24 de agosto de 2008

Desejo, necessidade e vontade!

Suor na palma das mãos, coração na boca, borboletas no estômago, olho no olho, e como diria uma grande e boa amiga: "vontade de crianças, varanda e labrador" ...

Sensação de que vai ser para sempre, aconchego de quem dorme junto, calor, humor e cumplicidade.

Sabe quando o desejo de romance (e amor) bate a sua porta? Pois é, assista aos vídeos e diga-me como ficou seu coração!


1 - Fred Astaire & Ginger Rogers - Smoke gets in your eyes, de Kern & Harbach



2 - Fred Astaire - The Way You Look Tonight, de Kern & Fields

Alegre menina

Queridos, o que é Mart'nália cantando Alegre menina com a Luiza Possi?

(...) Só desejava campina, colher as flores do mato
Só desejava um espelho de vidro pra se mirar
Só desejava o sol calor para bem viver
Só desejava o luar de prata pra repousar
Só desejava o amor dos homens pra bem amar (...)

Composição: Jorge Amado e Dori Caymmi

Tempo de amar e ouvir ...

Postei esta lista no orkut para o dia dos namorados. Mas como é sempre tempo de amar e chorar por amor, resolvi deixá-la a mão para qualquer apaixonado ou ser sensível que por aqui passe. São as minhas vinte mais do primeiro semestre de 2008.

Will Young,
Your Love is king
Cynda Williams,
Harlem Blues
Chico Buarque, Ela faz cinema
Paulinho da Viola, Talismã
Kathleen Battle,
Somewhere over the rainbow
Chico Buarque, O meu amor
Branford Marsalis Quartet,
Mo’ Better Blues
Mart’nália, Sei lá
Stevie Wonder,
As
Alcione, Réu Confesso
Mary J. Blige, Sorry seems to be the hardest word
Elza Soares, Pranto Livre
Regina Spektor, Fidelity
Roberta Sá, Cicatrizes
Macy Gray,
I Try
Chico Buarque & Tom Jobim, Anos Dourados
Mart’nália, Chega
Amy Winehouse,
Tears Dry on Their Own
Henri Mancini,
Moon river
Kathleen Battle, OSB e o Coro infantil da UFRJ – Orquestração Roberto Minczuk, Azulão


Na época, a Bel (do Ventarolas e do Lambouri) respondeu com uma outra lista. Para os curiosos, a lista da Bel.

domingo, 17 de agosto de 2008

Algodão

Pobre de quem acredita, na glória e no dinheiro para ser feliz ...
Saudade da Bahia

Adeus, Dorival Caymmi
(Salvador, 30 de abril de 1914 — Rio de Janeiro, 16 de agosto de 2008)

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Mart'náliamaníacos do mundo, uni-vos!

Quem me conhece sabe que eu posso ser obsessiva. Eu sou assim com praticamente tudo: trabalho, projetos, leituras! Mas os meus toques obsessivos emergem geralmente com música. Eu consigo escutar a mesma música ou cd vezes e vezes como se a necessidade de gravar aquela melodia fosse vital. Eu vou aos shows, compro os dvds e assisto, assisto, e danço e canto, e pulo.
Conviver comigo pode ser uma experiência difícil. Eu passo a perseguir uma determinada canção e quero que todos ao redor a compartilhem. Mando vídeos do youtube. Letras das músicas. Cantarolo. E, se preciso, dou cds e dvds de presente.
Sou uma espécie de Rob (personagem principal em High Fidelity, de Nick Hornby), aquela pessoa que cria trilha sonora e lista para tudo e que só consegue expressar seus sentimentos com ..... música! Me dê palavras e eu as perco. Mas coloque uma música no meu caminho e vou dizer exatamente com o quê ou com quem ela se parece. Ou ela vai dizer o que sinto naquele momento - letra & música me desnudam.

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Minha obsessão com a música de Mart'nália não é diferente. Eu nem sabia que ela existia até que ganhei ingressos para o Centro Cultural Carioca, em janeiro de 2005. Sabe aquela coisa de ir a um show para não perder os ingressos? Aquela coisa meio de má vontade, do tipo "vou só para ver qual é a da cantora"?
Saí de lá passada. Mart'nália é linda, tem muita luz e um jeito muito próprio de seduzir sua platéia. Na verdade eu não saí de lá passada: eu saí de quatro. Comprei o cd ao final do show, pedi autógrafo e maldisse ter deixado a câmera em casa. 'Pé do meu samba ao vivo' passou a ser minha companhia mais que constante e só foi substituído quando 'Menino do Rio' foi lançado. Quando tudo fica bem, eu chamo Mart'nália. E se as coisas não estão tão bem, eu chamo a Mart'nália de novo, que tudo melhora!

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Na minha caixa de entrada às 5h41min - Lançamentos Biscoito Fino. Sempre dou uma olhada nas novidades. Comecei a cantar de alegria. Madrugada, o novo cd da Mart'nália. Preciso dizer que isso é um bom augúrio de que o dia será maravilhoso?

Ps: Lançamento oficial do cd com show no Vivo Rio, dia 26/9. Vamos?

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Paixão pelas formas

Notre Dame, julho de 2008


Notre Dame, julho de 2008



Museu D'Orsay, julho de 2008

domingo, 10 de agosto de 2008

Pra rua me levar, de Ana Carolina

Estou em paz comigo, como há muito não ficava. Se não sinto aquela felicidade absurda, pelo menos estou mais serena e centrada. Por conta desse momento, a Bel me mandou um presente numa dessas madrugadas de conversas sem fim.

Pra rua me levar, de Ana Carolina

Composição: Ana Carolina / Totonho Villeroy

Não vou viver, como alguém que só espera um novo amor
Há outras coisas no caminho aonde eu vou
As vezes ando só, trocando passos com a solidão
Momentos que são meus e que não abro mão

Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora

Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar
E eu vou lembrar você

É... mas tenho ainda muita coisa pra arrumar
Promessas que me fiz e que ainda não cumpri
Palavras me aguardam o tempo exato pra falar
Coisas minhas, talvez você nem queira ouvir

Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora

Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar
E eu vou lembrar você...

Paternidade

Hoje acordei um pouco melancólica. Há 22 anos perdi o único pai que conheci - meu avô materno João Lucas - e em dias chuvosos, gelados e comemorativos, são os que sinto mais falta dele. Apesar do nosso pouco tempo de convivência, ele me ensinou muitíssimo. A amar os livros e a música, a saber o momento de participar das festas e o momento de me recolher, a brigar por aquilo que eu quero e a respeitar o lugar de onde eu vim. Adorava me levar para comprar roupas e livros, poucos brinquedos. Adorava passear comigo pelo centro da cidade, me contando a história do Rio. Adorava viajar. E adorava me ver feliz.

Ele me acolheu em sua casa um mês antes do meu nascimento, e tornou-se o meu padrinho de batismo. E eu nasci sua neta mais velha, mas sua filha caçula.

Nunca me tratou como criança, sempre respeitou minhas escolhas, mesmo que em algum momento precisasse me dizer Não, coisa que fez muitas vezes.

Sinto falta do vovô e saudades do que ele representa: família perto, colo no domingo, música alta, paixão pelo vasco, independência, inteligência, respeito às diferença e conversas adultas.

Vovô, mesmo longe, um feliz dia dos pais!

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Meu avô nasceu em Guarani, MG, em 1923. Filho de um ourives e de uma dona de casa, ambos negros e beneficiados pela lei do ventre-livre, correu muito para chegar onde chegou. Era filho caçula, numa família com poucas condições financeiras. Seu irmão mais velho tinha mais de dez anos quando ele nasceu e ao longo de sua infância foi quem ajudou a criá-lo e deu apoio quando ele partiu para Juiz de Fora para tentar estudar. Foi parar na Academia de Comércio, escola da elite mineira, trabalhando para os padres, e conseguindo assim uma bolsa de estudos.

Segundo a família, foi bom aluno, um grande atleta e um bom amigo. Nunca chegou a se graduar, mas virou rábula, numa época que advogar sem diploma não caracterizava exercício ilegal da profissão. Dizem que era um grande profissional e falam dele com saudade.

Nem de longe era perfeito, muito pelo contrário. Mas era uma pessoa e tanto e é isso o que eu guardo na memória.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Do jeito delas

(...) Mas agora perdi toda a confiança
Que me vinha do amor, o meu tesouro,
E na pobreza moro
- que até rimando sinto insegurança.
Assim, tal como os outros, me demoro
Escondendo a vergonha que me alcança:
Por fora eu sou a dança
Mas no fundo do peito me deploro.


É com esta passagem da Vita Nuova, a lírica de Dante, traduzida por Jorge Wanderley (1938-1999), que Geraldo Carneiro abre o livro Do jeito delas: Vozes femininas de língua inglesa. Organizado por Márcia Cavendish Wanderley, Carlos Eduardo Fialho e Sueli Cavendish, o livro foi publicado pela 7 Letras, com o apoio da Faperj e apresenta as traduções que JW fez das poesias de Sylvia Plath, Emily Dickinson, Marianne Moore, Anne Sexton entre outras. Além das poesias, o livro ainda traz três ensaios escritos pelos organizadores.

Logo que abro o livro me deparo com esta passagem de Dante, que diz muito do que senti nos meus últimos dois anos: Por fora eu sou a dança, mas no fundo do peito me deploro. Era isso que eu sempre quis dizer e nunca consegui. A poesia e a música fazem milagres: concretizam o que não conseguimos às vezes sequer sentir ou simplesmente expressar. Não consegui largar o livro até agora.

sábado, 2 de agosto de 2008

Eles e seus guarda-chuvas

Julho de 2008, foto de Ana P.


Poderia ser em qualquer lugar, mas era uma chuva de verão em Paris e isso fazia toda diferença.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Último blues, de Chico Buarque

O Chico não é uma fase, é minha vida ... conhece tão bem nossa alma, que é impossível não achar que algumas músicas foram feitas especialmente para nós. Eu amava dançar ao som desta música nos anos 80, com interpretação da Gal. Esta é da Ana Cascardo.



(...) Essa menina que você seduz
Agora é uma atriz
Saída de outra peça
Chamada "Doces Ardis..."
Quando beija a sua boca
Ela começa a fraquejar
Por onde anda a sua mão
Você só quer se aproveitar
E ela delira
Rodopiando no salão
Os dois parecem um casal
Mas é mentira (...)

Para ver mais Ana Cascardo - http://www.anacascardo.com.br/