Saiba-o, mundo! O poeta - em seus sonhos - descobre a lei das estrelas e a fórmula da flor [Marina Tsvetáieva]
domingo, 28 de junho de 2009
terça-feira, 23 de junho de 2009
Sem dizer adeus
Com Mart'nália
(...) o nome do que sinto
não tem nome que domine o meu querer
Não vou voltar atrás
O chão sumiu a cada passo que eu dei (Eu andei) (...)
(...) o nome do que sinto
não tem nome que domine o meu querer
Não vou voltar atrás
O chão sumiu a cada passo que eu dei (Eu andei) (...)
domingo, 21 de junho de 2009
Poesia em imagens - Helen Levitt
Nova York, 1940
Poesia em imagens
Acho esta foto simplesmente deliciosa. Ela tem cara de domingo, de dias felizes.
Se foto tem cheiro, o desta é de água no asfalto.
Estava guardada há um tempão. Descobri que era de Helen Levitt via Images&Visions.
Um bom primeiro dia de inverno para vocês!
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sexta-feira, 19 de junho de 2009
65
É hoje. Chico Buarque completa 65 anos. Que não falte saúde e inspiração ao nosso Chico! O presentinho para todos nós é O meu amor, uma daquelas que me acompanha há anos. Encantadora como tantas outras e especial por inúmeros motivos.
Para quem está chegando agora e não tem a dimensão da paixão do blog por Chico Buarque, nosso muso inspirador, alguns posts relacionados:
Para quem está chegando agora e não tem a dimensão da paixão do blog por Chico Buarque, nosso muso inspirador, alguns posts relacionados:
quarta-feira, 17 de junho de 2009
domingo, 14 de junho de 2009
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Amor Condusse Noi Ad Una Morte, de Paulo Mendes Campos
Quando o olhar adivinhando a vida
Prende-se a outro olhar de criatura
O espaço se converte na moldura
O tempo incide incerto sem medida
As mãos que se procuram ficam presas
Os dedos estreitados lembram garras
Da ave de rapina quando agarra
A carne de outras aves indefesas
A pele encontra a pele e se arrepia
Oprime o peito o peito que estremece
O rosto a outro rosto desafia
A carne entrando a carne se consome
Suspira o corpo todo e desfalece
E triste volta a si com sede e fome.
Prende-se a outro olhar de criatura
O espaço se converte na moldura
O tempo incide incerto sem medida
As mãos que se procuram ficam presas
Os dedos estreitados lembram garras
Da ave de rapina quando agarra
A carne de outras aves indefesas
A pele encontra a pele e se arrepia
Oprime o peito o peito que estremece
O rosto a outro rosto desafia
A carne entrando a carne se consome
Suspira o corpo todo e desfalece
E triste volta a si com sede e fome.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Quem ama inventa, de Mario Quintana
Quem ama inventa as coisas a que ama...
Talvez chegaste quando eu te sonhava.
Então de súbito acendeu-se a chama!
Era a brasa dormida que acordava...
E era um revôo sobre a ruinaria,
No ar atônito bimbalhavam sinos,
Tangidos por uns anjos peregrinos
Cujo dom é fazer ressurreições...
Um ritmo divino? Oh! Simplesmente
O palpitar de nossos corações
Batendo juntos e festivamente,
Ou sozinhos, num ritmo tristonho...
Ó! meu pobre, meu grande amor distante,
Nem sabes tu o bem que faz à gente
Haver sonhado ... e ter vivido o sonho!
Talvez chegaste quando eu te sonhava.
Então de súbito acendeu-se a chama!
Era a brasa dormida que acordava...
E era um revôo sobre a ruinaria,
No ar atônito bimbalhavam sinos,
Tangidos por uns anjos peregrinos
Cujo dom é fazer ressurreições...
Um ritmo divino? Oh! Simplesmente
O palpitar de nossos corações
Batendo juntos e festivamente,
Ou sozinhos, num ritmo tristonho...
Ó! meu pobre, meu grande amor distante,
Nem sabes tu o bem que faz à gente
Haver sonhado ... e ter vivido o sonho!
Mario Quintana
In.: Quintana de bolso: Rua dos cataventos & outros poemas.
Porto Alegre: L&PM Editora, 2008.
In.: Quintana de bolso: Rua dos cataventos & outros poemas.
Porto Alegre: L&PM Editora, 2008.
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Ternura, de Manuel Bandeira
Enquanto nesta atroz demora,
Que me tortura, que me abrasa,
Espero a cobiçada hora
Em que irei ver-te à tua casa;
Por enganar o meu desejo
De inteira e descuidada posse,
Ai de nós! que não antevejo
Uma só vez que ao menos fosse;
Sentindo em minha carne langue
Toda a volúpia do teu sonho,
Toda a ternura do teu sangue,
Minh'alma nestes versos ponho;
Por que os escondas de teu seio
No doce o pequenino vale
- Por que os envolva o teu enleio,
Por que o teu hálito os embale;
E o meu desejo, que assim foge
Ao pé de ti e te acarinha,
Possa sentir que minha és hoje,
E és para todo o sempre minha...
Que me tortura, que me abrasa,
Espero a cobiçada hora
Em que irei ver-te à tua casa;
Por enganar o meu desejo
De inteira e descuidada posse,
Ai de nós! que não antevejo
Uma só vez que ao menos fosse;
Sentindo em minha carne langue
Toda a volúpia do teu sonho,
Toda a ternura do teu sangue,
Minh'alma nestes versos ponho;
Por que os escondas de teu seio
No doce o pequenino vale
- Por que os envolva o teu enleio,
Por que o teu hálito os embale;
E o meu desejo, que assim foge
Ao pé de ti e te acarinha,
Possa sentir que minha és hoje,
E és para todo o sempre minha...
Manuel Bandeira
Publicado originalmente em A cinza das horas
In.: Estrela da vida inteira.
Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1993.
Publicado originalmente em A cinza das horas
In.: Estrela da vida inteira.
Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1993.
terça-feira, 9 de junho de 2009
Ausência, de Vinicius de Moraes
Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
Vinicius de Moraes
In.: Nova antologia poética - Edição de bolso.
São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
In.: Nova antologia poética - Edição de bolso.
São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
O amor antigo, de Carlos Drummond de Andrade
O amor antigo vive de si mesmo
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.
O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza
Por aquelas mergulhas no infinito,
e por estas suplanta a natureza.
Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.
Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor ...
Carlos Drummond de Andrade
Publicado originalmente em Amar se aprende amando
In.: Declaração de amor: canção de namorados.
Rio de Janeiro: Editora Record, 2008
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.
O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza
Por aquelas mergulhas no infinito,
e por estas suplanta a natureza.
Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.
Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor ...
Carlos Drummond de Andrade
Publicado originalmente em Amar se aprende amando
In.: Declaração de amor: canção de namorados.
Rio de Janeiro: Editora Record, 2008
domingo, 7 de junho de 2009
Encontro mágico, foto histórica
Rio de Janeiro, 1966
foto de Moacir Gomes
Poesia em imagens
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Durante a semana estarei revendo amigos e preparando minha apresentação para um congresso.
Porém, tem presentinho todos os dias até a minha volta.
Ou pensam que vou esquecer vocês?!?!
sábado, 6 de junho de 2009
Reedição da obra completa de Lygia Fagundes Telles
Reedição da obra completa de Fagundes Telles pela Companhia das Letras começando pelos livros As Meninas, Invenção e Memória e Antes do baile verde. Fresquinhos, com arte de Beatriz Milhazes na capa, textos revistos pela autora e posfácios inéditos. Não são objetos de desejo, mas quase. Li As Meninas há tantos anos que me deu saudades. E não, eu não sou garota propaganda dos Schwarcz!
terça-feira, 2 de junho de 2009
Dúvidas ou o Livro das Perguntas, de Pablo Neruda
LXIII
Como se combina com os pássaros
a tradução de seus idiomas?
Como dizer à tartaruga
que a supero em lentidão?
Como perguntar à pulga
qual seu recorde de saltos?
E que devo dizer aos cravos
agradecendo-lhes o perfume?
Como se combina com os pássaros
a tradução de seus idiomas?
Como dizer à tartaruga
que a supero em lentidão?
Como perguntar à pulga
qual seu recorde de saltos?
E que devo dizer aos cravos
agradecendo-lhes o perfume?
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