
Ainda sintonizada em Cecília ...
Flash autobiográficopor João Condé
Nome: Cecília Meireles. Nasceu no Distrito Federal. Casada, tem três filhas e dois netos. Altura, 1,64. Pesa 59 quilos e calça sapatos número 37. É quase vegetariana. Não fuma, não bebe, não joga. Não pratica nenhum esporte, mas gosta muito de caminhar e acha que seria capaz de dar a volta ao mundo a pé. Não gosta de futebol e raramente vai ao cinema. Gosta de bom teatro. Responde pontualmente todas as cartas que recebe, mas atrasa-se às vezes, em agradecer livros, porque só agradece depois de os ler. Adora música, especialmente canções medievais, espanholas e orientais. Poetas preferidos: todos os bons poetas. Prefere pintores flamengos. Dorme e acorda cedo. Leu Eça de Queirós antes dos 13 anos. Escreveu o seu primeiro verso aos 9 anos. Estudou canto, violão, violino e, às vezes, desenha. Se pudesse recomeçar a vida gostaria de ser a mesma coisa, porém melhor. Seu primeiro livro publicado foi Espectros, tinha 16 anos. Principal defeito: uma certa ausência do mundo. Seu tormento: desejar fazer o bem a pessoas que precisam de auxílio e não o aceitam. Nunca viu assombração, mas gostaria de ver. Não tem medo de viajar de avião em viagens longas. Gostaria de tornar a visitar o oriente e chegar até a China. Penso que poderia, pelo menos, ficar muito tempo no Mediterrâneo. Coleciona objetos de arte popular. Já colecionou xícaras e colheres de café. Agora acha o café tão ruim que não vale a pena colecionar os acessórios. Teve grande emoção quando chegou aos Açores, terra de seus antepassados. Outra emoção grande: quando viu sua "Elegia a Gandhi" traduzida em idiomas da Índia. É o poeta brasileiro mais conhecido em Portugal. Até agora não conseguiu gostar de Paris, embora admire a França. Admira profundamente São Francisco de Assis, Gandhi e Vinoma Bhave. Coisas que a horrorizam: tocar em papel carbono, ver comer ostras, aspirar fumaça de ônibus. Coisas que ama: crianças, objetos antigos, flores, música de cravo, praia deserta, livros, livros, livros, noite com estrelas e nuvens ao mesmo tempo. Acha que não tem medo da morte. Gostaria de morrer em paz.Publicado em Arquivos implacáveis, da Revista O Cruzeiro, em 31 de dezembro de 1955.
In.: Meireles, Cecília. Flor de Poemas. Rio de Janeiro: Companhia José Aguilar Editora, 1972.
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Um dos livros de poesia que ganhei da minha querida L.
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Mais sobre João Condé em
Arquivos implacáveis, de Muza Clara Chaves Velasques.
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