Esta hora é perfeita e até os anjos
se aquietam como nuvens, como coisas,
deixando-me desperta
e tão tranqüila, e tão em mim sem mim,
que assim imaginara a eternidade:
não um sono sem fim,
não a paz da inconsciência ou do abandono,
mas um estar atento e sem cuidado,
vendo o que não me é dado
ainda figurar entre estas castas
imagens que persistem. Minha insônia
é sagrada? que vozes
ou que chamados me retêm aqui?
que febre, que paixão sem desvario,
me forçam a esperar
que venha a graça e baixe sobre mim?
A graça desta paz não sonegada,
com apelos de sim.
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