terça-feira, 7 de setembro de 2010

Gabriela



E então elas sentaram juntas.
Nunca houve desconforto ou estranhamento,
apenas um reconhecimento recíproco como se dissessem:
- até que enfim você chegou.

Uma tinha treze anos, era nova na escola e adorava fazer palhaçada.
A outra tinha onze e uma timidez acachapante.

O encontro as fez mudar.
Passaram a compartilhar segredos, escrever novelas com e sem finais felizes, a participar de festas ...
Criaram códigos, dançaram Madonna, choraram quando Cazuza morreu e fizeram a promessa de que nada ia separá-las.

Apostaram no tempo e criaram um mecanismo para ficarem sempre juntas: quando se viram em colégios diferentes, começaram a compartilhar poesias. Sem internet ou e-mail, usaram uma agenda antiga e a encheram de textos e poemas que tornariam a vida das duas mais leve nos anos seguintes.

A agenda permitiu que cumprissem a promessa de não se separarem e as poesias as mantiveram unidas nos últimos vinte anos, mesmo quando se perdiam, mesmo com a distância. Nas (poucas) vezes que se encontraram, a agenda trocou de mãos. E sempre que uma precisou, a outra fez o impossível para que as poesias chegassem, como uma mão amiga. Um alento.

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