quarta-feira, 28 de julho de 2010

Breakfast at Tiffany's

Para Isabel

"(...) Sabe aqueles dias em que a coisa está preta?"
"Quando a gente está triste?"
"Não", ela prosseguiu devagar. "Você fica triste porque engordou ou porque está chovendo há muito tempo. Você fica triste, é só isso. Mas terrível mesmo é quando a coisa fica preta: quando você fica com medo e sua para danar, mas não sabe do quê está com medo. Sabe que alguma coisa ruim vai acontecer, mas não sabe o quê. Já sentiu isso?"
"Volta e meia. Há quem chame essa sensação de angst."
"Muito bem. Angst. Mas o que você faz nessas horas?"
"Bem, um drinque ajuda."
"Já tentei. Já tentei aspirina também. Rusty acha que eu deveria fumar maconha, e eu até fumei por algum tempo, mas só me fazia rir. Mas descobri que o melhor para mim é pegar um táxi e ir até a Tiffany's. Eu me acalmo na hora com aquele silêncio e aquele orgulho no ar; nada de muito ruim poderia acontecer ali, não com tantos homens gentis de terno elegante e aquele cheiro de prata e carteira de crocodilo. Se eu encontrasse um lugar de verdade que me fizesse sentir do jeito que me sinto na Tiffany's, eu compraria alguma mobília e daria um nome ao gato (...)".

Capote, Truman. In.: Bonequinha de Luxo. SP: Companhia das Letras, 2005
Tradução de Samuel Titan Jr.


 Foto de © Howell Conant

terça-feira, 27 de julho de 2010

Um site: MultiPessoa

MultiPessoa é dedicado ao meu mais querido poeta, minha mais querida companhia: Fernando Pessoa. Já indiquei para um monte de gente, postei no twitter e no facebook, mas nunca tinha dito aqui o quanto gosto deste site. E eu gosto muito. Tem um tombo por Pessoa, quer referência de alguma poesia? Passa lá.




domingo, 18 de julho de 2010

Marilyn





Marilyn
Fotografias de ©Sam Shaw, 1957, via Tumblr




Estas fotos fazem parte de ensaio realizado em 1957 durante o casamento de Marilyn com Arthur Miller. O ensaio fotográfico, aliás, é com o casal. Tudo aqui é informação de rádio relógio!

Lindo mesmo é ver Marilyn brincando feliz.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Para Diego

D.R.© 2010 
Banco de México en su carácter de Fiduciario en el Fideicomiso relativo a los Museos Diego Rivera y Frida Kahlo



Tu estás presente, intangível, e és todo o universo que crio no espaço de meu quarto. Tua ausência se revela trêmula no tique-taque do relógio, na pulsação da luz; respiras através do espelho.

Frida Kahlo, Diários

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Seis proposições imperativas (im)pessoais e inadiáveis

de Albano Martins


1.
Reabilitar o pintassilgo, o pinta
roxo: abrir
as portas à claridade.

2.
Retirar da fonte o veio – a veia
de sangue mais límpido
e escaldante.

3.
Não permitir que a voz
corrompa os lábios: aderir
somente ao desejo.

4.
Chegar pé ante pé: não despertar
as acácias floridas.

5.
Roer,
até doer,
a polpa,
a pompa
da verdade.

6.
Rever Bergman, O Sétimo Selo:
aprender
a jogar o xadrez.



Vocação do Silêncio, Poesia (1950-1985)
Lisboa: Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1990.

domingo, 1 de novembro de 2009

terça-feira, 20 de outubro de 2009

No lugar de um epílogo

E lá, onde os sonhos formavam-se
para nós dois - sonhos não muito diferentes
iam ficando guardados.
Vimos o mesmo sonho, e havia força nele,
como a chegada da primavera.

Anna Akhmátova, 1965
tradução de Lauro Machado Coelho

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Feliz aniversário, Vinicius!


Meu lado criança (e o adulto também) adora Adriana Partimpim. Adora também Adriana Calcanhotto e seu outro projeto para crianças. O Poeta Aprendiz, poema de Vinicius de Moraes ilustrado e cantado por ela, foi publicado no Brasil em 2003 pela Companhia das Letrinhas. Com música de Toquinho, é um livro-cd tão lindo que eu não me canso de ler e ouvir. Como hoje Vinicius faria aniversário, ficaremos com ele!




domingo, 18 de outubro de 2009

Existe sempre uma coisa ausente

Caio Fernando Abreu


Foto do blog de Jean-Michel Berts, via fuckyeahparis

"Paris — Toda vez que chego a Paris tenho um ritual particular. Depois de dormir algumas horas, dou uma espanada no rodenirterceiromundista e vou até Notre-Dame. Acendo vela, rezo, fico olhando a catedral imensa no coração do Ocidente. Sempre penso em Joana d’Arc, heroína dos meus remotos 12 anos; no caminho de Santiago de Compostela, do qual Notre-Dame é o ponto de partida — e em minha mãe, professora de História que, entre tantas coisas mais, me ensinou essa paixão pelo mundo e pelo tempo.

Sempre acontecem coisas quando vou a Notre-Dame. Certa vez, encontrei um conhecido de Porto Alegre que não via pelo menos há 20 anos. Outra, chegando de uma temporada penosa numa Londres congelada e aterrorizada por bombas do IRA, na época da Guerra do Golfo, tropecei numa greve de fome de curdos no jardim em frente. Na mais bonita dessas vezes, eu estava tristíssimo. Há meses não havia sol, ninguém mandava notícias de lugar algum, o dinheiro estava no fim, pessoas que eu considerava amigas tinham sido cruéis e desonestas. Pior que tudo, rondava um sentimento de desorientação. Aquela liberdade e falta de laços tão totais que tornam-se horríveis, e você pode então ir tanto para Botucatu quanto para Java, Budapeste ou Maputo — nada interessa. Viajante sofre muito: é o preço que se paga por querer ver “como um danado”, feito Pessoa. Eu sentia profunda falta de alguma coisa que não sabia o que era. Sabia só que doía, doía. Sem remédio.

Enrolado num capotão da Segunda Guerra, naquela tarde em Notre-Dame rezei, acendi vela, pensei coisas do passado, da fantasia e memória, depois saí a caminhar. Parei numa vitrina cheia de obras do conde Saint-Germain, me perdi pelos bulevares da le dela Cité. Então sentei num banco do Quai de Bourbon, de costas para o Sena, acendi um cigarro e olhei para a casa em frente, no outro lado da rua. Na fachada estragada pelo tempo lia-se numa placa: “II y a toujours quelque choe d’abient qui me tourmente” (Existe sempre alguma coisa ausente que me atormenta) — frase de uma carta escrita por Camilie Claudel a Rodín, em 1886. Daquela casa, dizia aplaca, Camille saíra direto para o hospício, onde permaneceu até a morte. Perdida de amor, de talento e de loucura.

Fazia frio, garoava fino sobre o Sena, daquelas garoas tão finas que mal chegam a molhar um cigarro. Copiei a frase numa agenda. E seja lá o que possa significar “ficar bem” dentro desse desconforto inseparável da condição, naquele momento justo e breve — fiquei bem. Tomei um Calvados, entrei numa galeria para ver os desenhos de Egon Schiele enquanto a frase de Camille assentava aos poucos na cabeça. Que algo sempre nos falta — o que chamamos de Deus, o que chamamos de amor, saúde, dinheiro, esperança ou paz. Sentir sede, faz parte. E atormenta.

Como a vida é tecelã imprevisível, e ponto dado aqui vezenquando só vai ser arrematado lá na frente. Três anos depois fui parar em Saint-Nazaire, cidadezinha no estuário do rio Loire, fronteira sul da Bretanha. Lá, escrevi uma novela chamada Bem longe de Marienbad , homenagem mais à canção de Barbara que ao filme de Resnais. Uma tarde saí a caminhar procurando na mente uma epígrafe para o texto. Por “acaso”, fui dar na frente de um centro cultural chamado (oh!) Camille Claudel. Lembrei da agenda antiga, fui remexer papéis. E lá estava aquela frase que eu nem lembrava mais e era, sim, a epígrafe e síntese (quem sabe epitáfio, um dia) não só daquele texto, mas de todos os outros que escrevi até hoje. E do que não escrevi, mas vivi e vivo e viverei.

Pego o metrô, vou conferir. Continua lá, a placa na fachada da casa número 1 do Quai de Bourbon, no mesmo lugar. Quando um dia você vier a Paris, procure. E se não vier, para seu próprio bem guarde este recado: alguma coisa sempre faz falta. Guarde sem dor, embora doa, e em segredo".


Crônica publicada no jornal O Estado de S. Paulo, em 3 de abril de 1994

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Uma ilustradora: Kate Gabrielle & o seu Flapper Doodle

Eloise encarna Audrey Hepburn (em Funny Face)


Eloise e Ramona tomam sorvete


Ramona, sozinha em casa e achando que ninguém a vê, dança tango!

Eloise pratica yoga








As fantásticas aventuras das amigas Eloise e Ramona (e outras mais), no traço de Kate Gabrielle.

domingo, 27 de setembro de 2009

Estenda a mão ... Campanha da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos


Há 18 anos acredito que nada do que temos é nosso,
é empréstimo.




E por que o Dia Nacional da Doação de Órgãos e Tecidos ocorre no dia 27 de setembro?
Hoje é dia de Cosme & Damião, os santos gêmeos médicos, padroeiros da medicina e dos transplantes.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Pequenas notas ... ou alguns links

Duas ou três coisas quanto ao blog:


Os plugins de música utilizados no blog sumiram há um mês. Estou pensando o que vou fazer, já que sou movida a música e nem sempre os vídeos do youtube têm qualidade ou som legais. De qualquer forma, até substituir os links musicais perdidos vai demorar um pouco. Na mesma época troquei de computador e demorei a transferir as imagens de um para o outro e elas ainda precisam ser organizadas. Poesia em imagens volta e o blog entrará na sua programação normal.
E vamos aos links ... tudo para diversão das senhoras e dos senhores!

O Theatro Municipal fez 100 anos em julho e para a data fizeram um vídeo que eu achei bem legal, apesar de ter algumas críticas. Diz muito sobre o Theatro, mas também sobre a história do Rio de Janeiro.


Em 29 de agosto, João Valadares publicou uma reportagem chamada Irmãos sem direito a brincadeiras à luz do dia. As fotos, de autoria de Alexandre Severo, são maravilhosas. O Jornal do Commercio preparou um slideshow deste ensaio chamado À flor da pele, com música incidental de Moacir Santos. Desde que foi publicada eu já vi/li inúmeras vezes. História impressionante. (via Olhavê, o blog de Alexandre Belém)

Está no ar Enter - Antologia Digital, organizada por Heloísa Buarque de Hollanda. Com textos, áudios, vídeos e imagens, Enter reúne tanta gente boa, que vale mais de uma visita. (via Ciberescritas)

Para seguir:

Ama, está com saudades ou quer conhecer Paris? Um presentão para os olhos em fuckyeahparis.

E finalmente, para escutar: Intermission (Coeur de Pirate deixando o meu ♥ leve, leve ...)

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Azul

Museu de Arte Contemporânea, Niterói [2009]


Pedra do Sal, Rio de Janeiro [2008]


Maluquinhos, Desfile da escola de samba mirim Herdeiros da Vila [2008]


Da casa de Cora Coralina eu vejo ... azul. Goiás [2006]


Vôo [2008]


Búzios [2007]


Eu não sei
Se vem de Deus
Do céu ficar azul
Ou virá
Dos olhos teus
Essa cor
Que azuleja o dia...

Se acaso anoitecer
E o céu perder o azul
Entre o mar e o entardecer
Alga marinha, vá na maresia
Buscar ali um cheiro de azul
Essa cor não sai de mim
Bate e finca pé
A sangue de rei...

Até o sol nascer amarelinho
Queimando mansinho
Cedinho, cedinho (cedinho)
Corre e vá dizer
Pro meu benzinho
Um dizer assim
O amor é azulzinho...


Azul, de Djavan