Hoje acordei um pouco melancólica. Há 22 anos perdi o único pai que conheci - meu avô materno João Lucas - e em dias chuvosos, gelados e comemorativos, são os que sinto mais falta dele. Apesar do nosso pouco tempo de convivência, ele me ensinou muitíssimo. A amar os livros e a música, a saber o momento de participar das festas e o momento de me recolher, a brigar por aquilo que eu quero e a respeitar o lugar de onde eu vim. Adorava me levar para comprar roupas e livros, poucos brinquedos. Adorava passear comigo pelo centro da cidade, me contando a história do Rio. Adorava viajar. E adorava me ver feliz.
Ele me acolheu em sua casa um mês antes do meu nascimento, e tornou-se o meu padrinho de batismo. E eu nasci sua neta mais velha, mas sua filha caçula.
Nunca me tratou como criança, sempre respeitou minhas escolhas, mesmo que em algum momento precisasse me dizer Não, coisa que fez muitas vezes.
Sinto falta do vovô e saudades do que ele representa: família perto, colo no domingo, música alta, paixão pelo vasco, independência, inteligência, respeito às diferença e conversas adultas.
Vovô, mesmo longe, um feliz dia dos pais!
Ele me acolheu em sua casa um mês antes do meu nascimento, e tornou-se o meu padrinho de batismo. E eu nasci sua neta mais velha, mas sua filha caçula.
Nunca me tratou como criança, sempre respeitou minhas escolhas, mesmo que em algum momento precisasse me dizer Não, coisa que fez muitas vezes.
Sinto falta do vovô e saudades do que ele representa: família perto, colo no domingo, música alta, paixão pelo vasco, independência, inteligência, respeito às diferença e conversas adultas.
Vovô, mesmo longe, um feliz dia dos pais!
************************
Meu avô nasceu em Guarani, MG, em 1923. Filho de um ourives e de uma dona de casa, ambos negros e beneficiados pela lei do ventre-livre, correu muito para chegar onde chegou. Era filho caçula, numa família com poucas condições financeiras. Seu irmão mais velho tinha mais de dez anos quando ele nasceu e ao longo de sua infância foi quem ajudou a criá-lo e deu apoio quando ele partiu para Juiz de Fora para tentar estudar. Foi parar na Academia de Comércio, escola da elite mineira, trabalhando para os padres, e conseguindo assim uma bolsa de estudos.
Segundo a família, foi bom aluno, um grande atleta e um bom amigo. Nunca chegou a se graduar, mas virou rábula, numa época que advogar sem diploma não caracterizava exercício ilegal da profissão. Dizem que era um grande profissional e falam dele com saudade.
Nem de longe era perfeito, muito pelo contrário. Mas era uma pessoa e tanto e é isso o que eu guardo na memória.
Segundo a família, foi bom aluno, um grande atleta e um bom amigo. Nunca chegou a se graduar, mas virou rábula, numa época que advogar sem diploma não caracterizava exercício ilegal da profissão. Dizem que era um grande profissional e falam dele com saudade.
Nem de longe era perfeito, muito pelo contrário. Mas era uma pessoa e tanto e é isso o que eu guardo na memória.
Nenhum comentário:
Postar um comentário