Nesse país de lenda, que me encanta,
Ficaram meus brocados, que despi,
E as jóias que p'las aias reparti
Como outras rosas de Rainha Santa!
Tanta opala que eu tinha! Tanta, tanta!
Foi por lá que as semeei e que as perdi ...
Mostrem-me esse país onde nasci!
Mostrem-me o reino de que eu sou infanta!
Ó meu país de sonho e de ansiedade,
Não sei se esta quimera que me assombra,
É feita de mentira ou de verdade!
Quero voltar! Não sei por onde vim ...
Ah! Não ser mais que a sombra duma sombra
Por entre tanta sombra igual a mim!
Espanca, Florbela. A mensageira das violetas - Antologia. Porto Alegre: L&PM, 1997.

Adoro Florbela Espanca - "Quero voltar, não sei por onde eu vim". Belo, singular simplesmente perfeito. Quantas vezes não experimentamos essa sensação? Abraços meus
ResponderExcluir