Landslide foi gravada pela primeira vez em 1975, pelo Fleetwood Mac. Escrita pela Stevie Nicks, a música teve algumas regravações. Confesso que só a conheci interpretada pelo The Smashing Pumpkins, nessa que parece ser a mais famosa versão. Sou capaz de escutar vezes e vezes sem enjoar. Esta música faz parte da minha história. Um dia, se eu me empolgar, eu conto por aqui o motivo.
Recentemente eu conheci esta outra, da Stacey Kent. Melodia envolvente, eu agora oscilo entre as duas. Ambas me alcançam. Só que tem dias que eu elejo uma e sigo ouvindo e hoje é um deles: estou mais para Kent do que para qualquer outra coisa.
Mesmo com as sujeiras da cidade, a bem real e a metafórica, o Rio é delicioso. E não é só a Zona Sul. É a solidariedade e o empurra-empurra na Central do Brasil, com seus grupos de pagode e oração às seis da tarde. Os boys correndo no Centro. Suas cores. O calor de Bangu e seu calçadão com chuveiro refrescante. É domingo na praia do Flamengo. É qualquer dia da semana em qualquer praia. São os blocos carnavalescos e os ensaios de rua das escola de samba. O mercadão de Madureira & o Saara. As procissões e autos-de-fé. A rua do Lavradio. Santa Teresa. Os botecos. Peladas em favelas. Tijuca e Vila Isabel. A Lagoa. Até a Avenida Brasil sem tiroteio tem um quê de beleza árida. Aqui não é espaço para falar das mazelas. Vamos buscar coisas boas até onde não dá para ver.
Por conta da dificuldade em catar poesias e outras mais, poucas coisas me animaram na última semana. Esta música foi uma delas.
Lundu (Sinfonia do Rio de Janeiro de São Sebastião - 1o. Movimento). Poesia de Geraldo Carneiro, música e regência de Francis Hime (com citação de Pivete, do Francis com o Chico Buarque) e uma bárbara interpretação do Lenine.
Notícia muito triste: Luiz Carlos da Vila faleceu hoje de manhã. Da Vila da Penha e da Escola de Samba Vila Isabel, Luiz era uma pessoa doce, um poeta de alma nobre, um compositor fantástico com quem tive o prazer de conversar apenas umas duas ou três vezes. Na minha lista de sambas preferidos alguns são de sua autoria:
Para mim, seus sambas iluminavam qualquer roda. E com sua morte, o Rio de Janeiro fica menor.
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Hoje o Prosa on line, o caderno Prosa & Verso do Jornal O Globo, trouxe uma entrevista com o Fabrício Carpinejar falando do seu novo livro, Canalha! (Bertrand Brasil). Ele escreveu O casamento entre o canalha e a safada especialmente para o jornal. Tá bom! Tá de rolar de rir. E dá para pensar, ô como dá. O lançamento será na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, dia 24/10 (sexta-feira), a partir das 19h30min.
E não, eu não quero (nem preciso de) um canalha de presente ... Eu quero Canalha! de presente.
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Escutando Corrente, do Chico Buarque. Presente da Bel, que colocou um sorriso enorme no meu rosto.
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E vâmbora turma, a semana está apenas começando!
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Quem anda no trilho é trem de ferro, sou água que corre entre pedras: liberdade caça jeito.
"Às vezes não tenho tanta certeza de quem tem o direito de dizer quando uma pessoa está louca e quando não. Às vezes penso que nenhum de nós é totalmente louco e que nenhum de nós é totalmente são até que nosso equilíbrio diga ele é desse jeito. É como se não importasse o que o sujeito faz, mas a forma como a maioria das pessoas o vê quando ele faz".
William Faukner, Enquanto eu agonizo. São Paulo: Mandarim, 2001. Tradução de Wladir Dupont. Epígrafe do lançamento do semana: Outsiders, de Howard S. Becker, da Jorge Zahar Editor.
O livro foi publicado originalmente na década de 1960 e o trabalho de campo foi realizado com músicos de jazz e usuários de maconha, na tentativa de se definir o que é um comportamento desviante para os padrões de normalidade (e moralidade) em um determinado grupo social. A pesquisa surgiu do interesse de Becker pela música e da sua convivência no jazz, já que ele é também um músico. Referência da antropologia americana contemporânea, Becker se formou na tradição da Escola de Chicago, completou 80 anos em abril e está em plena atividade. A publicação da Jorge Zahar é um esforço de homenagear e trazer a público a sua produção sobre antropologia e seus métodos de pesquisa. Pela mesma editora foi publicado ao final de 2007 Segredos e truques da pesquisa.
******************************** Para homenagear Becker e sua sociologia do desvio, Os Mutantes.
E eu ganhei minha tarde lendo A blogueira e o estruturalista ... tirando o final, que me deixou com a sensação de que faltava algo, o conto é muito bom. Conhecendo algumas blogueiras e muitos estruturalistas, o texto se torna ainda mais delicioso. Dos blogs, o Todoprosa está no meu top ten há tempos. Sérgio Rodrigues é sempre uma surpresa.
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Minha andança em busca de Vinicius, na última semana, me levou à aula show na Casa de Cultura Laura Alvim (RJ), filmada em agosto de 2008. Misto de homenagem e relançamento dos livros pela Companhia das Letras, Palavra e Música vale cada minuto da visita. Com José Miguel Wisnik, Paula Morelenbaum e Arthur Nestrovski.
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Ainda em busca da palavra cantada, fui ao Festival do Rio. Foram seis documentários sobre música e poesia e uma frustração grande por não ter conseguido vencer a falta de tempo, a preguiça e a chuva. Aos poucos vou falando aqui sobre o que conseguiu me tirar da toca.
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Sou um monte intransponível no meu próprio caminho. Mas às vezes por uma palavra tua ou por uma palavra lida, de repente tudo se esclarece.
Em um dia lindo de sol, ciranda e samba, cem anos de Cartola!
Alvorada lá no morro, que beleza Ninguém chora, não há tristeza Ninguém sente dissabor O sol colorindo é tão lindo, é tão lindo E a natureza sorrindo, tingindo, tingindo ( a alvorada ) Você também me lembra a alvorada Quando chega iluminando Meus caminhos tão sem vida E o que me resta é bem pouco Ou quase nada, do que ir assim, vagando Nesta estrada perdida.
Gente, não vai parar de chover? Para quem vive um grande amor neste tempinho, vale a pena escutar Vinicius. Aliás, sempre vale, até para quem nunca viveu um grande amor. Vai que serve de inspiração ... Vinicius é o poeta da semana!
Eu não ando só Só ando em boa companhia Com meu violão Minha canção e a poesia
Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso. Muita seriedade e pouco riso, para viver um grande amor. Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher. Pois ser de muitas, pôxa!, é pra quem quer, nem tem nenhum valor. Pra viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro E ser de sua dama por inteiro, seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada E portar-se de fora com uma espada para viver um grande amor.
Eu não ando só Só ando em boa companhia Com meu violão Minha canção e a poesia
Para viver um grande amor direito, não basta apenas ser um bom sujeito. É preciso também ter muito peito, peito de remador. É sempre necessário ter em vista um crédito de rosas no florista, Muito mais, muito mais que na modista! Para viver um grande amor. Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, Molhos, filés com fritas - comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir para a cozinha e preparar com amor uma galinha Com uma rica e gostosa farofinha para o seu grande amor?
Eu não ando só Só ando em boa companhia Com meu violão Minha canção e a poesia.
Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto, E até ser, se possível, um só defunto pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo, mas também com a mente, Pois qualquer "baixo" seu a amada sente e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia, doce e conciliador sem covardia. Saber ganhar dinheiro com poesia, não ser um ganhador. Mas tudo isso não adianta nada se nesta selva escura e desvairada Não se souber achar a grande amada para viver um grande amor.
Eu não ando só Só ando em boa companhia Com meu violão Minha canção e a poesia
Texto completo de Para viver um grande amor em Releituras
Escrever para crianças Voltar para a percussão Fazer dança indiana Passar um tempo em Praga ou em Pernambuco Aprender a bordar, fazer biscoitos e cupcakes
Está aberta a temporada oficial de listas para 2009 ... E enquanto janeiro não chega, me concentro e tento terminar a lista de 2008!
Se tu queres que eu não chore mais Diga ao tempo que não passe mais Chora o tempo o mesmo pranto meu Ele e eu, tanto Que só para não te entristecer Que fazer, canto Canto para que te lembres Quando eu me for
Deixa-me chorar assim Porque eu te amo Dói a vida Tanto em mim Porque eu te amo Beija até o fim As minhas lágrimas de dor Porque eu te amo, além do amor!
Deixa Deixa Fale quem quiser falar, meu bem Deixa Deixe o coração falar também Porque ele tem razão demais quando se queixa Então a gente deixa, deixa, deixa, deixa Ninguém vive mais do que uma vez Deixa Diz que sim prá não dizer talvez Deixa Paixão também existe Deixa Não me deixe ficar triste
Baden Powell - Programa Ensaio
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Elas têm uma brincadeira: quando acham uma música que fale de amor ou um site que expresse a vontade de relacionamento sério, casas com varanda, crianças gargalhando e palhaços em festas infantis, elas trocam endereços. A sexta-feira não foi diferente - de superziper pra cá, e marthastewart.com pra lá elas pensaram muito no que as faz um tanto diferentes, mas também um tanto iguais as mulheres de sua geração.
Insone, ainda passeando pelos blogs e sites da felicidade romântica a amiga escreveu lindamente sobre relações pós-modernas, vida compartilhada e amor. E de tantas experiências e inexperiências conhecidas, suas e de outros, esta amiga aqui sentiu vontade de cantar para quem passar duas canções de Vinicius e Powell.
As canções a fizeram lembrar do avô paterno, que encontrou o amor com mais de setenta anos. Não em uma casa enorme com labrador, mas em Dona Ana, companheira verdadeira, que fazia bolo de baunilha e doce de leite caseiro em um micro apartamento em Irajá. Aos olhos de uma menina de quatro anos estar com os dois e ser espectadora daquele amor era melhor que amarelinha, melhor que subir em árvore, era melhor que Natal. E é esse grau de compartilhamento e cumplicidade que ela deseja para os amigos e para ela mesma.