domingo, 30 de novembro de 2008

Danseurs d'Afrique, de Antoine Tempé

Saroy Rakotosofolo
Madagascar, 2002

Lacina Coulibay
Burkina Faso, 2002

Ousséni Sako
Burkina Faso, 2002


Poesia em imagens

© Antoine Tempé
http://www.antoinetempe.com/
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Ouvindo
Luis Melodia - Fadas


Tempé é uma dica da Val. Obrigada, querida!

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Como se faz um etnógrafo

"Nas letras e nas ciências, as profissões de praxe, como magistério, pesquisa e algumas carreiras imprecisas, são de uma outra natureza. O estudante que as escolhe não se despede do universo infantil: antes, empenha-se em mantê-lo. Não é o magistério o único meio oferecido aos adultos que lhes possibilita permanecer na escola? O estudante de letras ou de ciências caracteriza-se por uma espécie de recusa que ele contrapõe às exigências do grupo. Uma reação quase conventual incita-o a retrair-se temporariamente ou de forma mais duradoura, no estudo, na preservação e na transmissão de um patrimônio, independente do tempo que passa; quanto ao futuro cientista, seu objeto só é comensurável à duração do universo. Portanto, nada é mais falso do que persuadi-los de que eles se envolvem; mesmo quando crêem fazê-lo o envolvimento não consiste em aceitar um grupo determinado, em identificar-se com uma de suas funções, em assumir suas oportunidades e seus riscos pessoais, mas em julgá-lo de fora e como se eles mesmos não fizessem parte dele; seu envolvimento ainda é uma maneira peculiar de se manterem descomprometidos. Desse ponto de vista, o ensino e a pesquisa não se confundem com a aprendizagem de uma profissão. São sua grandeza e sua desgraça constituírem, quer um refúgio, quer uma missão.


Nessa antinomia que opõe, de um lado, a profissão, e de outro, um projeto ambíguo que oscila entre a missão e o refúgio, e que sempre participa de uma ou de outro, sendo ora uma ora outro, a etnografia ocupa decerto um lugar privilegiado. É a forma ais extrema que se possa conceber do segundo termo. Sempre se considerando humano, o etnógrafo procurar conhecer e julgar o homem de um ponto de vista elevado e distante o suficiente para abstraí-lo das contingências próprias a esta sociedade ou àquela civilização. Suas condições de vida e de trabalho isolam fisicamente de seu grupo por longos períodos; pela brutalidade das mudanças a que se expõe, ele adquire uma espécie de desarraigamento crônico: nunca mais se sentirá em casa, em lugar nenhum, permanecerá psicologicamente mutilado. Como a matemática ou a música, a etnografia é uma das raras vocações autênticas. Podemos descobri-la em nós, ainda que não nos tenha sido ensinada por ninguém" (pgs. 52 e 53).

Como se faz um etnógrafo, in.: Tristes Trópicos.
Claude Lévi-Strauss
Tradução: Rosa Freire d'Aguiar
São Paulo: Companhia das Letras, 1996


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Com as comemorações do centenário de Claude Lévi-Strauss, embarquei numa onda saudosista e desenterrei todos os artigos sobre ele que tinha no computador, procurei mais alguns e fui pegar o que tinha em minha estante. Lá no fundo, um bocado empoeirado, encontrei Tristes Trópicos e lembrei imediatamente o por quê dele ser um dos meus livros preferidos.


Contato com Lévi-Strauss eu tive no primeiro semestre da graduação e fiquei completamente apaixonada pela Eficácia Simbólica, texto que herdei dos meus professores e que adorava ler com meus alunos. No segundo ano, Teoria Antropológica II era basicamente Antropologia Francesa, ou Etnologia. Naquele ano, Lévi-Strauss estava sendo reeditado pela Companhia das Letras e se tornou meu livro de cabeceira, aquele que eu levava pra cima e pra baixo. As fotografias e os desenhos tribais, suas impressões sobre o Brasil, os textos curtos e subjetivos em formato de diário fizeram com que eu tivesse certeza (ajudado em muito por Geertz e Malinowski) de que, se eu tinha entrado na graduação para fazer Ciência Política, adeus, a antropologia ganhou mais uma fã.

Adoro as entrevistas que ele dá e os dossiês que publicam sobre ele, de tempos em tempos, nos jornais. Coleciono-os. Sempre aprendo muito com este senhor. E, é claro, entre os meus textos preferidos, muitos são de sua autoria e releio sempre que posso. Numa dessas entrevistas, achei uma das frases que para mim, é das mais geniais. Perto dos 97 anos, ele foi entrevistado pelo Le Monde em meio as comemorações do ano do Brasil na França e ao cinqüentenário de Tristes Trópicos. Perguntado por Véronique Mortaigne sobre o que ele diria do futuro, respondeu:

Não me pergunte nada desse tipo. Nós estamos num mundo ao qual eu já não pertenço mais. Aquele que eu conheci, aquele que eu amei, tinha 1,5 bilhão de habitantes. O mundo atual conta 6 bilhões de humanos. Ele não é mais o meu. E aquele de amanhã, que estará povoado por 9 bilhões de homens e de mulheres --mesmo que esta seja uma estimativa máxima de população, conforme nos garantem para nos consolar - me impede arriscar toda e qualquer previsão... [Tradução: Jean-Yves de Neufville]

Hoje ele faz 100 anos, mas convenhamos, esta não é a sensação que em alguma medida todos nós temos? A este mundo eu já não pertenço mais e não me arrisco a fazer toda e qualquer previsão...

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Os poços

Primeiro você cai num poço. Mas não é ruim cair num poço assim de repente? No começo é. Mas você logo começa a curtir as pedras do poço. O limo do poço. A umidade do poço. A água do poço. A terra do poço. O cheiro do poço. O poço do poço. Mas não é ruim a gente ir entrando nos poços dos poços sem fim? A gente não sente medo? A gente sente um pouco de medo mas não dói. A gente não morre? A gente morre um pouco em cada poço. E não dói? Morrer não dói. Morrer é entrar noutra. E depois: no fundo do poço do poço do poço do poço você vai descobrir quê.

Caio Fernando Abreu

domingo, 23 de novembro de 2008

Collapse in a garden, de David LaChapelle








da série Poesia em imagens






Collapse in a garden
1995
David LaChapelle




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Ouvindo
Esperanza Spalding - Precious

sábado, 22 de novembro de 2008

Pequeníssima reflexão

E ela repete vezes e vezes o que lhe ensinou Antígona:
"Eu sou aquela que não aprendeu a ceder aos desastres"

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Carregando Sophia de Mello Breyner Andresen na bolsa, no corpo, e principalmente no coração.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Voyeur, com Gal Costa

Amo



Voyeur
Gal Costa

Composição: Péri

Voyeur,
Eu vou seguindo você,
Na sua dança, na sua leveza;
Estender
Meus olhos sobre você,
E assim vou descobrindo a beleza;
Colher,
No meu cantinho de terra,
A flor que nasceu por você.
Vem ver
Meu coração bater por você.

Arder
No poro, no pelo, na pele
De tudo que saia da sua presença;
Doer,
Se não responde ao recado,
Se não me dá sua correspondência.
Quem lê
No meu mais íntimo plano
Onde é que se esconde você,
Vai ver
Meu coração bater por você.

Vem ver, vem ver
Meu coração bater por você.

Vem me dar carinho,
Vem fazer lelê,
Vem me dar um cafuné,
Me fazer um chazinho.
Corda que amarrou, cobra que picou,
Sede não secou, alma desandou.
E leia na minha mão
O seu nome na linha da vida
Que corre atrás de você.

Vem ver, vem ver
Meu coração bater por você.

domingo, 16 de novembro de 2008

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Deixa eu te dizer, amor ...

Francis Hime e Adriana Calcanhotto - Saudade de Amar



Vence a tua solidão
Abre os braços e vem
Meus dias são teus.

Saudade de amar
com Adriana Calcanhotto
de Francis Hime e Vinicius de Moraes


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Álbum Musical 2 [2008], de Francis Hime e Convidados

Tocado à exaustão

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Show dia 25 de novembro - Modern Sound, em Copacabana. Lançamento de Álbum Musical 2, com participação especial da cantora Tereza Cristina. Rua Barata Ribeiro, 502 – D, Copacabana. Tel: (21) 2548-5005. Às 19h
(Fonte: Biscoito Fino)

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É oficial: estou colecionando declarações de amor.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Nostalgia, de Florbela Espanca













Nesse país de lenda, que me encanta,
Ficaram meus brocados, que despi,
E as jóias que p'las aias reparti
Como outras rosas de Rainha Santa!

Tanta opala que eu tinha! Tanta, tanta!
Foi por lá que as semeei e que as perdi ...
Mostrem-me esse país onde nasci!
Mostrem-me o reino de que eu sou infanta!

Ó meu país de sonho e de ansiedade,
Não sei se esta quimera que me assombra,
É feita de mentira ou de verdade!

Quero voltar! Não sei por onde vim ...
Ah! Não ser mais que a sombra duma sombra
Por entre tanta sombra igual a mim!


Espanca, Florbela. A mensageira das violetas - Antologia. Porto Alegre: L&PM, 1997.

domingo, 9 de novembro de 2008

Survey Cover & Raining Fish, de Brett Ryder

Survey Cover

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Raining Fish


Da série Poesia em imagens
Brett Ryder

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Ouvindo Alma Thomas

sábado, 8 de novembro de 2008

Só tinha de ser com você, com Elis Regina



É, você que é feito de azul,
Me deixa morar nesse azul ...


de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O que sinto não tem nome

5 de novembro, quase 23h.

Dormi por volta de uma da manhã e acordei às três com a notícia que Obama se elegera. Sorri, e voltei a dormir. Seis horas pulo da cama com a impressão que tinha sido um sonho. Não era e me vi chorando lendo os inúmeros posts, notícias, trechos do discurso em Chicago, vídeos e fotos. Saí da frente do computador e fui me arrumar. Não resisti, voltei e postei a imagem acima. Li mais algumas notícias e chorei novamente. Fui trabalhar com a cara amarrotada, mas com a alma lavada, lavada.

Me emociono por ele ser o primeiro presidente negro dos Estados Unidos? É claro que sim. Como também o sentimento de fazer parte da mesma energia, da mesma esperança, da mesma mudança, que mobilizou do motoboy que cruzou o meu caminho à blogueira portuguesa. Ler quase quarenta posts de diversas partes do mundo, e publicados no espaço de 24 horas, torcendo, fazendo campanha e comemorando me emocionou muito.

O Biscoito Fino e a massa
, Weblog, vários blogs de literatura, os que trabalham com questões étnico-raciais, todos, emocionadíssimos ao longo da madrugada e do dia de hoje. Kátia, do WebNeguinha, escreveu um texto lindo sobre as três mulheres negras na Casa Branca. O reverendo Jesse Jackson chorando, a população comemorando: cenas que eu dificilmente vou esquecer.

O que me fez chorar foi perceber que ainda temos a coragem de acreditar. E sinceramente, eu nunca tinha visto essa coragem que dá as caras, tão explícita e generalizada, nas minhas três décadas de vida.

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Imagem: Hope, de Shepard Fairey

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Abracadabra, com Robin McKelle



Do Cd: Modern Antique, 2008

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Essa foi puro acaso. É para curtir a segunda-feira e animar a semana que se inicia!
Eis a página da moça no MySpace

domingo, 2 de novembro de 2008

Mariposa & Beleza Pura, de Beatriz Milhazes

Da série Poesia em imagens

Beatriz Milhazes
(nascida em 1960, no Rio de Janeiro)


Mariposa
2004, acrílico sobre tela
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Beleza Pura
2006, acrílico sobre tela

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Ouvindo Piaf