segunda-feira, 8 de junho de 2009

O amor antigo, de Carlos Drummond de Andrade

O amor antigo vive de si mesmo
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza
Por aquelas mergulhas no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor ...


Carlos Drummond de Andrade
Publicado originalmente em Amar se aprende amando
In.: Declaração de amor: canção de namorados.
Rio de Janeiro: Editora Record, 2008

2 comentários:

  1. As palavras do poeta na simplicidade do homem. Interessante...

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  2. Oi João, prazer em ter você aqui!!! Obrigada por visitar meu cantinho ...
    Beijão

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