quarta-feira, 10 de junho de 2009

Ternura, de Manuel Bandeira

Enquanto nesta atroz demora,
Que me tortura, que me abrasa,
Espero a cobiçada hora
Em que irei ver-te à tua casa;

Por enganar o meu desejo
De inteira e descuidada posse,
Ai de nós! que não antevejo
Uma só vez que ao menos fosse;

Sentindo em minha carne langue
Toda a volúpia do teu sonho,
Toda a ternura do teu sangue,
Minh'alma nestes versos ponho;

Por que os escondas de teu seio
No doce o pequenino vale
- Por que os envolva o teu enleio,
Por que o teu hálito os embale;

E o meu desejo, que assim foge
Ao pé de ti e te acarinha,
Possa sentir que minha és hoje,
E és para todo o sempre minha...

Manuel Bandeira
Publicado originalmente em A cinza das horas
In.: Estrela da vida inteira.
Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1993.

2 comentários:

  1. Uau!
    Passo poucs dias sem passar nessa casa... E olha quanta coisa nova!!

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  2. Querida,
    Adorei você ter voltado ... Daqui a pouco passo para ver mais de seus bons ventos.
    Saudades, Bel.
    Rola chá esta semana?

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