quinta-feira, 11 de junho de 2009

Quem ama inventa, de Mario Quintana

Quem ama inventa as coisas a que ama...
Talvez chegaste quando eu te sonhava.
Então de súbito acendeu-se a chama!
Era a brasa dormida que acordava...
E era um revôo sobre a ruinaria,
No ar atônito bimbalhavam sinos,
Tangidos por uns anjos peregrinos
Cujo dom é fazer ressurreições...
Um ritmo divino? Oh! Simplesmente
O palpitar de nossos corações
Batendo juntos e festivamente,
Ou sozinhos, num ritmo tristonho...
Ó! meu pobre, meu grande amor distante,
Nem sabes tu o bem que faz à gente
Haver sonhado ... e ter vivido o sonho!

Mario Quintana
In.: Quintana de bolso: Rua dos cataventos & outros poemas.
Porto Alegre: L&PM Editora, 2008.

2 comentários:

  1. 139. Está é a página em que este poema está em meu livro.Mário Quintana sabia usar a língua como a língua deve ser usada por quem sabe o que fazer com ela.

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  2. Ando redescobrindo Quintana, Adriano!
    E a redescoberta tem sido muito prazerosa ...
    Beijos de domingo!

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