terça-feira, 28 de julho de 2009

Prece

Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.

Sophia de Mello Breyner Andresen


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Vale a pena ler:
Quem se lembra de Sophia?
Uma homenagem do Diário de Notícias (Portugal), nos 5 anos de morte da poeta.

Dica do Blogtailors

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Não adianta ...

Não adianta, você não encontrará neste site nada além de ideologias exóticas, idiossincrasias eróticas, selvageria sintática, sexo & violência, trailers, thrillers e copulação imaginária.

Onde?

Aqui

quinta-feira, 23 de julho de 2009

For once in my life


Eu sou absolutamente apaixonada por este digníssimo senhor e dele não me canso.
Na realidade, meus tios colocavam minha mãe, grávida de mim, a escutar horas e horas de Mr. Wonder.
Agradeço ao senhor a excelente companhia nos últimos 33 anos, tá bom?

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Pausa (e não é para um chá)

Imagem daqui

Vaguidades (fragmentos)
Rosalía de Castro

III

Tal como as nuvens
que impele o vento
e agora assombram, e agora alegram
os espaços do céu tão imensos,
tal as ideias
loucas que eu tenho
as imagens de múltiplas formas
de estranhas feituras, de tons tão incertos
agora assombram,
agora aclaram,
o fundo sem fundo do meu pensamento.


In.: Poesia galega - Das origens à Guerra Civil
Fábio Aristimunho Vargas (organização e tradução)
São Paulo: Editora Hedra, 2009.

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Vou dar uma pausa.
De uns 20 dias.

20 dias.
E eu volto.
Antes do aniversário de um ano da (nossa) louca casinha azul.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Num dia, com Arnaldo Antunes

(...) Respirar
Sentir o sabor do que comer
Caminhar
Se chover, tomar chuva
Não esperar nada acontecer
Ser gentil com qualquer pessoa (...)





Para começar o mês, Arnaldo Antunes!

terça-feira, 23 de junho de 2009

Sem dizer adeus





Com Mart'nália


(...) o nome do que sinto
não tem nome que domine o meu querer
Não vou voltar atrás
O chão sumiu a cada passo que eu dei (Eu andei) (...)

domingo, 21 de junho de 2009

Poesia em imagens - Helen Levitt

Nova York, 1940

Poesia em imagens


Acho esta foto simplesmente deliciosa. Ela tem cara de domingo, de dias felizes.
Se foto tem cheiro, o desta é de água no asfalto.
Estava guardada há um tempão. Descobri que era de Helen Levitt via Images&Visions.
Um bom primeiro dia de inverno para vocês!

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Ouvindo Alma Thomas

Alma%20Thomas
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sexta-feira, 19 de junho de 2009

65

É hoje. Chico Buarque completa 65 anos. Que não falte saúde e inspiração ao nosso Chico! O presentinho para todos nós é O meu amor, uma daquelas que me acompanha há anos. Encantadora como tantas outras e especial por inúmeros motivos.



Para quem está chegando agora e não tem a dimensão da paixão do blog por Chico Buarque, nosso muso inspirador, alguns posts relacionados:

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Amor Condusse Noi Ad Una Morte, de Paulo Mendes Campos

Quando o olhar adivinhando a vida
Prende-se a outro olhar de criatura
O espaço se converte na moldura
O tempo incide incerto sem medida

As mãos que se procuram ficam presas
Os dedos estreitados lembram garras
Da ave de rapina quando agarra
A carne de outras aves indefesas

A pele encontra a pele e se arrepia
Oprime o peito o peito que estremece
O rosto a outro rosto desafia

A carne entrando a carne se consome
Suspira o corpo todo e desfalece
E triste volta a si com sede e fome.

Paulo Mendes Campos
Via Blog do Noblat

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Quem ama inventa, de Mario Quintana

Quem ama inventa as coisas a que ama...
Talvez chegaste quando eu te sonhava.
Então de súbito acendeu-se a chama!
Era a brasa dormida que acordava...
E era um revôo sobre a ruinaria,
No ar atônito bimbalhavam sinos,
Tangidos por uns anjos peregrinos
Cujo dom é fazer ressurreições...
Um ritmo divino? Oh! Simplesmente
O palpitar de nossos corações
Batendo juntos e festivamente,
Ou sozinhos, num ritmo tristonho...
Ó! meu pobre, meu grande amor distante,
Nem sabes tu o bem que faz à gente
Haver sonhado ... e ter vivido o sonho!

Mario Quintana
In.: Quintana de bolso: Rua dos cataventos & outros poemas.
Porto Alegre: L&PM Editora, 2008.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Ternura, de Manuel Bandeira

Enquanto nesta atroz demora,
Que me tortura, que me abrasa,
Espero a cobiçada hora
Em que irei ver-te à tua casa;

Por enganar o meu desejo
De inteira e descuidada posse,
Ai de nós! que não antevejo
Uma só vez que ao menos fosse;

Sentindo em minha carne langue
Toda a volúpia do teu sonho,
Toda a ternura do teu sangue,
Minh'alma nestes versos ponho;

Por que os escondas de teu seio
No doce o pequenino vale
- Por que os envolva o teu enleio,
Por que o teu hálito os embale;

E o meu desejo, que assim foge
Ao pé de ti e te acarinha,
Possa sentir que minha és hoje,
E és para todo o sempre minha...

Manuel Bandeira
Publicado originalmente em A cinza das horas
In.: Estrela da vida inteira.
Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1993.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Ausência, de Vinicius de Moraes

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.


Vinicius de Moraes
In.: Nova antologia poética - Edição de bolso.
São Paulo: Companhia das Letras, 2007.